Em seu livro  “Os pioneiros americanos no Brasil”, o historiador Frank P. Goldman narra as aventuras e desventuras de um grupo de imigrantes norte-americanos, que veio para o Brasil, logo após a abolição da escravidão nos EUA.

A convite do governo brasileiro, que desejava desenvolver a região do Vale do Rio Juquiá, muitos ali se estabeleceram. Outros, sentindo a região muito insalubre, foram para o interior onde chegaram a fundar a cidade de Americana.

Alguns ainda foram para Iguape e Cananéia. Dentre os que ficaram no Vale do Juquiá, destacou-se o ex-Juiz Dire e seu genro Columbus Wasson.

O Velho Juiz Dyre, batista fervoroso, não era muito querido e foi classificado por alguns como do tipo “Abraham Lincoln”. Fora juiz no Texas, não primava pela intelectualidade, mas era dotado de um bom senso extremamente prático.

Com a morte de McMullen, que dirigia a colônia de imigrantes de Juquiá, foi o juiz que assumiu o seu lugar.

Quando a colonia malogrou, nem por isso o juiz e sua família a abandonaram. O Coronel Crawford Allen, seu velho colega e grande amigo ianque antes da eclosão da guerra da secessão, comprou várias empresas e em todas faliu.

Tinha comprado a serraria de Dyre e Wasson, que também abriu falência. A verdade é que o único a conseguir bom êxito para a Companhia Madeireira de Dyre e Wasson foi seu ex-escravo Steve, que o acompanhara na aventura.

O Juiz Dyre possuía terras, florestas virgens de boas matas e madeiras de lei. Seu genro Wasson convenceu o convenceu a instalar uma serraria cuja produção seria transportada para o Rio de Janeiro. Os resultados foram imediatos e positivos.

Steve administrava todas as atividades da serraria, enquanto Wasson, no Rio de Janeiro, arranjava contratos de fornecimento, fazia empréstimos e alugava barcos a vapor para o transporte de madeira do Juquiá para a capital do Império. A primeira remessa foi extraordinariamente lucrativa.  A rota estabelecida por Wasson era a do Rio Juquiá, na época das cheias, até Iguape; daí a Santos, e de Santos para o Rio de Janeiro.

Steve preparou a madeira para a segunda remessa e Wasson, no Rio de Janeiro, fretou outro vapor, a crédito, que enviou para Juquiá. Tentando subir o rio à noite, o vapor se perdeu num temporal, com ele se perdendo não apenas uma grande parte dos bens materiais de Dyre e Wasson, mas também o seu interesse em permanecer no vale do Juquiá. Todavia, Steve, o ex-escravo, condicionado por uma vida mais árdua e já adaptado ao seu novo ambiente, estava preparado para o seu novo papel.

Ao deixarem o vale, Dyre e Wasson deram a Steve não apenas a serraria, mas também as terras e tudo quanto não podiam levar consigo para os Estados Unidos. Steve permaneceu no Brasil até o fim da vida. Enriqueceu, casou-se várias vezes e deixou muitos filhos e netos. Diz-se que se tivesse ele alguma instrução formal, poderia tomar-se barão.

Todos o amavam, e ele jamais abusou da sua autoridade ou prestígio. Embora considerado ex-escravo de Dyre, usava o nome de Wasson que, através das gerações, se transformou em Vassão, nome bastante conhecido em todo o vale.